quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A ciência dos relacionamentos

O que a ciência diz sobre a importância de ser parecido com o parceiro para que relacionamento dê certo

Pesquisadores investigam se casais que se parecem são mais ou menos felizes.

Por BBC

14/11/2018
 
Das muitas espécies monogâmicas encontradas na natureza, como alguns pássaros e peixes, estudos têm mostrado um padrão: pares semelhantes são mais bem-sucedidos na reprodução de sua linhagem.

Pela lógica, essa vantagem evolutiva também poderia ocorrer no caso de humanos.

E, de fato, psicólogos e outros especialistas têm defendido há tempos que semelhanças entre casais são provavelmente benéficas, uma vez que os parceiros compartilham dos mesmos valores, objetivos de vida e visões de mundo. No entanto, por mais intuitiva que essa ideia pareça, as tentativas de comprovar cientificamente essa hipótese falharam.

Agora uma equipe de psicólogos da Universidade de Amsterdam, na Holanda, acredita ter a resposta. O grupo desenvolveu uma abordagem bem mais sofisticada e mais atenta a nuances do que as pesquisas anteriores.

A pesquisa se baseia no modelo dos "Big Five" (ou Os Cinco Grandes Fatores) da personalidade humana. Trata-se de uma teoria comumente aplicada pela psicologia que mede os níveis de cinco características do indivíduo: "extroversão" (extraversion), "neuroticismo" (neuroticism), "agradabilidade" (agreeableness), "conscienciosidade" (consciousness) e "abertura a experiências" (openness).

Os resultados mostram que a semelhança entre parceiros realmente importa - especialmente na característica de "agradabilidade" -, mas que, em alguns casos, a "combinação perfeita" não é a que traz maior bem-estar ao casal.

Sobre o quanto essas semelhanças afetam os relacionamentos, a pesquisadora-chefe Manon van Scheppingen e seus colegas explicam que quase todas as pesquisas anteriores tiveram uma abordagem do "tudo ou nada", sem levar em conta algumas questões mais sutis.

Por exemplo, o senso comum sugere que, se ambos os parceiros têm alta "conscienciosidade" (ligada à autodisciplina), a semelhança nesse caso é benéfica.

Mas se um dos cônjuges tem um nível mais baixo dessa característica, segundo a especialista, talvez seja melhor para o relacionamento que o outro tenha o traço mais acentuado, promovendo uma espécie de efeito compensatório benéfico para o casal.

Semelhança e bem-estar
A equipe de Van Scheppingen analisou informações como traços de personalidade, bem-estar e satisfação de milhares de casais americanos em relacionamento duradouros. Eles levaram em conta a pontuação relativa dos indivíduos em cada um dos cinco traços de personalidade básicos.

Assim como em outras pesquisas, esse grupo mostrou que o mais importante no bem-estar do casal é o efeito direto da personalidade de cada um.

Ou seja, indivíduos tendem a ser mais felizes se o parceiro ou ele próprio for mais agradável, colaborativo e menos neurótico (o que é consistente com o que se sabe da correlação entre traços de personalidade e níveis de felicidade).

No entanto, ao contrário de pesquisas anteriores, isso não conta a história toda.

A equipe descobriu que a comparação entre os níveis das características do casal também pesa de forma moderada, mas relevante. Ou seja, uma combinação muito perfeita das características geralmente não é benéfica.

Por exemplo, ter o mesmo nível de extroversão que o parceiro ou parceira não é o ideal para o bem-estar do casal - o mais adequado é que um seja mais extrovertido do que o outro. Casais com baixa conscienciosidade também podem encontrar dificuldades - o ideal é que pelo menos um deles tenha um nível relativamente alto do traço.

A exceção, apenas no caso das mulheres, é a agradabilidade: um traço associado a confiar no outro e ter mais empatia.

A maior similaridade com o parceiro é vista como a situação ideal, de forma que ela sinta mais apoio no relacionamento. Um fator menos decisivo, mas que afeta ambos os sexos, é o grau de semelhança para "abertura": um traço associado a aproveitar novas experiências e apreciar arte e cultura.

Van Scheppingen e sua equipe acreditam que essa semelhança seja benéfica porque a abertura tem relação com valores e política (quanto maior a abertura, mais forte a sua orientação liberal, por exemplo).

A semelhança, dessa forma, poderia garantir "menos conflitos nas visões e ações dos cônjuges, o que poderia promover mais bem-estar na relação", escreveram os pesquisadores.

Semelhança e duração
Um artigo de 2013 avaliou a semelhança de casais e a duração dos relacionamentos.

Sem dúvida, a longevidade da relação é uma medida mais objetiva do que a percepção de bem-estar e a sensação de apoio do parceiro. Beatrice Rammstedt, do Instituto Gesis Leibniz para Ciências Sociais na Alemanha, aplicou quase cinco mil questionários de personalidade de casais alemães e os acompanhou por cinco anos.

Sua equipe descobriu que os casais que eram mais parecidos em traços de abertura tinham mais chances de permanecer juntos.

Esses não são os únicos estudos que revelam algum benefício na semelhança dos casais. Uma pesquisa publicada em 2017 no Journal of Research in Personality mostrou que mulheres se beneficiam quando os níveis de abertura são semelhantes aos de seus parceiros - a situação ótima era quando ambos tinham níveis moderados de abertura.

Outra pesquisa do mesmo periódico descobriu que a semelhança entre casais era útil no caso de indivíduos ansiosos por vínculo - aqueles que temem ser abandonados.

Outros fatores para além dos traços de personalidade são relevantes.

Paulina Jocz e sua equipe da Universidade de Varsóvia mostraram, por exemplo, que casais são mais felizes se compartilham do mesmo cronotipo - ou seja, se são ambos diurnos ou noturnos. Os casais demonstraram mais satisfação sexual, inclusive, se se assemelham em que período do dia ou da noite preferem fazer sexo.

Outro estudo mostrou que as mulheres eram mais felizes em seus relacionamentos quando compartilhavam da mesma orientação política que seus parceiros. E tanto homens quanto mulheres eram mais satisfeitos se o casal desse o mesmo peso a valores como liberdade e independência.

Esses estudos buscam comparar a semelhança de companheiros da forma mais objetiva possível.

Mas claro que as percepções subjetivas e o sentimento pelo parceiro são tão importantes quanto - talvez até mais. Com relação a isto, psicólogos têm analisado a sensação de compartilhar a identidade com seu parceiro ou sua parceira, ou o que Courtney Walsh e Lisa Neff, da Universidade do Texas, em Austin, chamam de "fusão de identidade".

Em um experimento que estuda os recém-casados, elas descobriram que os indivíduos que sentiam um senso de identidade compartilhado com o do cônjuge tendiam a ter mais confiança no relacionamento e a lidar de maneira mais construtiva com as turbulências conjugais.

Seria interessante saber como as percepções de uma identidade compartilhada interagem com a semelhança entre casais. Afinal, se for possível chegar a um nível de companheirismo em que você e seu parceiro se tornaram um, parece provável que as questões de semelhança e diferença se tornarão secundárias.

(Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2018/11/14/o-que-a-ciencia-diz-sobre-a-importancia-de-ser-parecido-com-o-parceiro-para-que-relacionamento-de-certo.ghtml)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Parole, parole...


domingo, 30 de setembro de 2018

#elenão

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Cena de filme



Just Like Honey (The Jesus and Mary Chain)

Cena do filme "Encontros e Desencontros" (Lost in Translation)

domingo, 16 de setembro de 2018

Sobre expor-se

O sujeito da experiência é um sujeito “ex-posto”. Do ponto de vista da experiência, o importante não é nem a posição (nossa maneira do pormos), nem a “o-posição” (nossa maneira de opormos), nem a “im-posição (nossa maneira de impormos), nem a “pro-posição” (nossa maneira de propormos), mas a “ex-posição”, nossa maneira de ex-pormos, com tudo o que isso tem de vulnerabilidade e de risco. Por isso é incapaz de experiência aquele que se põe, ou se opõe, ou se impõe, ou se propõe, mas não se ex-põe.

 LARROSA, Jorge. Notas sobre a experiência e o saber de experiência. Rev. Bras. Educ., Rio de Janeiro, n.19, jan./abr. 2002, p.24-25.

domingo, 9 de setembro de 2018

Resumo: Função Executiva: Habilidades Para a Vida e Aprendizagem

Resumo: Função Executiva: Habilidades Para a Vida e Aprendizagem: memória de trabalho, flexibilidade mental e autocontrole

sábado, 25 de agosto de 2018

Vai começar o horário político 2018...


Clara Nunes - "Lama" (letra de Mauro Duarte, 1976)

domingo, 27 de maio de 2018

domingo, 15 de abril de 2018

Plim Plim 2017

Dr. Fefê aparece a partir do tempo 3 min. 38s.
"Alexandre Henderson participa de diversas atividades no primeiro Festival de Invenção e Criatividade, onde crianças e jovens, seus familiares e professores botam a mão na massa e aprendem brincando! É a primeira vez que o festival é apresentado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia, a FEBRACE, no campus da Universidade de São Paulo."

Link para vídeo: https://globoplay.globo.com/v/5880354/

quinta-feira, 29 de março de 2018