quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Os dez mandamentos do rei da rua
O palhaço Chacovachi, de 50 anos, não faz parte do time das celebridades da capital argentina. No universo do circo de rua, porém, ele é uma pessoa (por assim dizer) "diferenciada". Isso porque ele é um dos portenhos que mais arrecada dinheiro nas praças do mundo. O chapéu dele agrega.
Coincidentemente (ou não), ele escreveu e traduziu para o português as bases de seu trabalho, que alimenta um público fiel, vários discípulos, sua mulher e filhos há décadas:
Os Dez Mandamentos do Palhaço
1 - Seja um exagero e não uma caricatura de si mesmo
2 - Não fique bravo com o público (não deveria)
3 - Quando estiver no palco, seja o centro do universo
4 - Nunca duvidará do seu material em cena
5 - Frente ao fracasso, usará a frase "me chupa"
6 - Nunca usará o material de outro palhaço que trabalhe no mesmo lugar / praça / cidade
7 - Estará convencido de que, se não foi hoje, será na próxima vez, mas encontrará o sentimento que estava buscando
8 - Não rechaçará desafio algum
9 - Estará agradecido por toda a vida àqueles que te inspiraram, mesmo que não te caiam bem
10 - Será politicamente incorreto
Para conhecer a figura ou matar saudades desse grande artista da ruas, Chaco estará domingo 1/12 na Praça Tiradentes (Rio) às 19h, com seu espetáuculo "Cuidado!!! Un Payaso malo puede arruinar tu vida", dentro da intensa programação de um dos maiores festivais de palhaços do mundo: Anjos do Picadeiro. Site aqui: www.anjosdopicadeiro.com.br
Verborrágico ao vivo e ainda mais na internet, escreveu recentemente em seu perfil de uma rede social sobre o processo de trabalhar das ruas para os circos e palcos:
"Todo palhaço ou clown tem que ter sua experiência de rua, troperçar-se seus sapatos, estourar a garganta, sentir-se sem contenção, trocar o medo pela adrenalina e transformar a risada em orgulho e dinheiro... logo a rua se transformará em muitos lugares e te permitirá transitá-los com segurança de quem dormiu feliz em uma cama de pedras."
E para quem não puder esperar, uma entrevista em vídeo aqui.
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Tem vaquinha? Tem sim, senhor!
Falarei sobre minha experiência e algumas pesquisas que realizei sobre captação de dinheiro por meio de financiamento colaborativo (o famoso crowdfunding).
Nesta conversa vou apresentar alternativas aos editais oficiais para viabilizar discos, lonas e espetáculos, a partir dos exemplos da "vaquinha digital" do projeto CD Circo Nerino e outros casos do circo brasileiro.
Segunda 11/11 (15h-16h30)
Centro de Memória do Circo
Av. São João, 473 – Galeria Olido
Atualização: o link da palestra de hoje está aqui:
http://www.slideshare.net/CarrilFernando/palestra-circense-use-a-internet-para-pagar-seu-projeto
E o link a respeito do livro sobre recursos e oportunidades na nuvem: http://luli.com.br/nuvem/
terça-feira, 24 de setembro de 2013
Vai uma aí?
Saiu na Folha de hoje aqui que Bruce Dickinson, eterno vocalista do Iron Maiden, resolveu aplicar um merchan da sua breja favorita no final do Rock in Rio 2013, apesar do patrocínio daquela tradicional cerveja da garrafa verde.
Deve ser muito boa para valer a pena queimar o filme da banda com o festival e ainda receber um monte processos na cabeça. Fiquei curioso e vou experimentar essa tal traditional English ale.
E só bebendo mesmo para aguentar as mudanças sofridas no mundo do rock nas últimas décadas de pirataria na internet, fechamento de casas especializadas e avanço extremo do sertanejo transgênico.
A turma do Motorhead é a mais eclética da cena roqueira ao oferecer de uma vez cervejas, vinhos (rosé e shiraz) e uma vodca que, segundo eles, são distribuídas diretamente do inferno. "Beba, aproveite, mas não me culpe amanhã.". Finalmente um slogan sincero, não?
Mas será que dá para misturar com a pilsener da rádio 89 FM de São Paulo, a tipo helles dos Raimundos, o guaraná do AC/DC (sério!), o vinho e chope dos mascarados do Kiss, o absinto do Marilyn Manson e a inocente cervejinha weiss do Sepultura?
Se o Rock in Rio 2015 for um porre, deixe à mão a "água vitaminada" do rapper 50 cent.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
Palhaço de papel, carne e osso
Parece piada, mas saiu minha entrevista na revista Sorria e o tema é o Humor! Se rir é o melhor remédio ainda não sei, mas a revista é vendida na Drogaria Raia.
Obrigado Felipe Zylber, Jéssica Martineli, Amanda Produções e todos os envolvidos. :-)
E você pode folhear, tatear ou clicar a íntegra da revista neste link aqui: Sorria 33.
Obrigado Felipe Zylber, Jéssica Martineli, Amanda Produções e todos os envolvidos. :-)
E você pode folhear, tatear ou clicar a íntegra da revista neste link aqui: Sorria 33.
domingo, 4 de agosto de 2013
RIP Rock
Let´s Rock, Galeria do Rock, Dia do Rock, Rock in Rio, Rádio Rock, ... ah, foi bom enquanto viveu. Dos heróicos anos 1950 à era de ouro, depois virtuoses e o punk, invasão audiovisual e o grito de Seattle...
Mas o pulso passou. Enquadrado, assimilado, institucionalizado, "classic". O que dizem hoje os roqueiros? Tédio! Melhor colocar tudo em um museu para "preservar a história", desde que tenha estacionamento coberto e com valet para Harley-Davidsons e SUV's brancas.
Quem provoca, balança e choca é o Hip Hop, aqui na luta por espaços na mídia, nas praças, salas de música para trocar uma ideia e embalar a moçada.
Não sou nenhum especilista e ainda estou aprendendo, mas sempre que posso ouço Mano Brown e Racionais, Thaíde & DJ Hum e as batalhas de MC´s da Praça Roosevelt. E nessa semana minha esposa me apresentou a dupla americana Macklemore & Ryan Lewis.
Independentes de gravadoras, caprichosos nas músicas e nos vídeos, estão bombando no Youtube e no iTtunes.Ousados na comédia, entregam mito bem na música "Thrift Shop" a nova moda dos EUA pós-crise: produzir-se, garimpar e dançar em brechós ou guarda-roupa dos avós. Acho que temos um indicado para Oscar de melhor figurino. ;-)
E também são poéticos no drama, como na balada "Same Love". Aqui tratam do casamento gay com respeito e lirismo. São outros tempos, claro, mas não lembro de ter visto nada parecido no "roque errou" em todos os tempos... OK, it´s only Hip Hop but I like it.
Mas o pulso passou. Enquadrado, assimilado, institucionalizado, "classic". O que dizem hoje os roqueiros? Tédio! Melhor colocar tudo em um museu para "preservar a história", desde que tenha estacionamento coberto e com valet para Harley-Davidsons e SUV's brancas.
Quem provoca, balança e choca é o Hip Hop, aqui na luta por espaços na mídia, nas praças, salas de música para trocar uma ideia e embalar a moçada.
Não sou nenhum especilista e ainda estou aprendendo, mas sempre que posso ouço Mano Brown e Racionais, Thaíde & DJ Hum e as batalhas de MC´s da Praça Roosevelt. E nessa semana minha esposa me apresentou a dupla americana Macklemore & Ryan Lewis.
Independentes de gravadoras, caprichosos nas músicas e nos vídeos, estão bombando no Youtube e no iTtunes.Ousados na comédia, entregam mito bem na música "Thrift Shop" a nova moda dos EUA pós-crise: produzir-se, garimpar e dançar em brechós ou guarda-roupa dos avós. Acho que temos um indicado para Oscar de melhor figurino. ;-)
E também são poéticos no drama, como na balada "Same Love". Aqui tratam do casamento gay com respeito e lirismo. São outros tempos, claro, mas não lembro de ter visto nada parecido no "roque errou" em todos os tempos... OK, it´s only Hip Hop but I like it.
segunda-feira, 15 de julho de 2013
50+50 tons de riso
Há semanas dedico minhas noites à coletânea Os 100 melhores contos de humor da literatura universal (Flavio Costa, Ediouro, 560 páginas).
O ambicioso catatau contempla desde a antiguidade até a atualidade - e realmente não decepciona pelas diversas formas, tipos e abordagens apresentadas em fábulas, sagas, histórias, anedotas..
Humor e a comédia dependem de ritmo, imaginação e entendimento e graça. Aqui (creio eu) alguns contos ficaram datados ou ligados a uma determinada cultura, mas vale muito a leitura para ver, por exemplo,como grande autores (como Edgar Allan Poe) se arriscaram no campo minado do riso.
A seleção é ampla: Boccacio, Cervantes, Gogol, Voltaire, Mark Twain, Tchecov... e brasileiros como Machado de Assis, Fernando Sabino e João Ubaldo.
Apesar de "esgotado", é barato e muito fácil de ser encontrado pela internet.
Porque, como diria Chaplin, um dia sem rir é um dia desperdiçado.
O ambicioso catatau contempla desde a antiguidade até a atualidade - e realmente não decepciona pelas diversas formas, tipos e abordagens apresentadas em fábulas, sagas, histórias, anedotas..
Humor e a comédia dependem de ritmo, imaginação e entendimento e graça. Aqui (creio eu) alguns contos ficaram datados ou ligados a uma determinada cultura, mas vale muito a leitura para ver, por exemplo,como grande autores (como Edgar Allan Poe) se arriscaram no campo minado do riso.
A seleção é ampla: Boccacio, Cervantes, Gogol, Voltaire, Mark Twain, Tchecov... e brasileiros como Machado de Assis, Fernando Sabino e João Ubaldo.
Apesar de "esgotado", é barato e muito fácil de ser encontrado pela internet.
Porque, como diria Chaplin, um dia sem rir é um dia desperdiçado.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Aprendi com palhaços: "começar"
Aqui inicio uma série para (re)ver o que vivi com formadores, mestres, senseis, colegas, amigos etc em minha vida. Como a primeira professora a gente nunca esquece, a estreia será com Gabriella Argento (a.k.a Du'Porto no Jogando no Quintal, Doutores da Alegria, Cirque du Soleil... etc), que inspira quem a conhece a fazer o máximo da "pixquiza" pessoal , sempre que (im)possível, pela levada da sorte, doçura e persistência. Firme, sin perder la leveza jámas. Segue abaixo um texto dela de 2013.
Frágil. Como um cristal de açúcar.
Tão independente, confiante, guerreira.
Mas a cena transborda a poeira.
O estado do palhaço deixa cristalina a vulnerabilidade.
Será que vou me questionar até o fim da vida sobre a vala entre o que sei e o que sou?
A diretora cutuca a ferida que sempre traz o nó na garganta:
Too much.Way too much.
A grande virada na vida do intérprete se dá quando ele percebe que não precisa fazer força.
Esforço. Energia demais comunica de menos.
Pensamos em um palco de dimensões dantescas e já queremos ser mais.
Brasileiro já é de mais, mesmo sendo de menos.
Carrego no meu DNA artístico, nos padrões viciados do meu corpo sobrevivente, a herança do exagero.
Como atingir a plenitude cénica sem força?
Com trabalho.
Sentindo o nó da fragilidade se fazer, desfazer e refazer. Na garganta e nas vísceras.
Aceitando que o palco grita o que deseja. E que o intérprete é mero veículo.
Para atingir o estado de expressão que comunica o desejo além, há que haver o desapego. No mais delicado reside a potência.
Na despreocupação e no desprendimento encontramos o que somos.
Sem esforço algum.
Agora o trabalho se inicia.
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